As emoções não são inimigas. São sinais.


As emoções não são inimigas. São sinais.

Olá,

Na última newsletter falámos do corpo como mensageiro e da forma como o Chi Kung Terapêutico me trouxe uma nova consciência corporal. Hoje quero falar-te das emoções como sinais do corpo.

Desde pequeno, cresci a lidar com as emoções tentando controlá-las, silenciá-las ou “ultrapassá-las”.

A raiva parecia excessiva.
A tristeza era vista como um peso.
O medo, algo a vencer.

Hoje, felizmente, tenho uma visão diferente.

Quando o corpo parou, as emoções fizeram-se ouvir.

Antes do diagnóstico, como já partilhei, vivia num ritmo acelerado.
Havia pouco espaço para sentir — e ainda menos para escutar o que sentia.

Mas quando o corpo parou e fiquei sem chão, umas semanas antes do Natal, as emoções fizeram-se ouvir — bem alto. Não como inimigas, para me enfraquecer, mas como mensageiras.

O medo.
A tristeza.
A raiva contida.
O cansaço profundo.
A frustração.

Surgiram para me orientar para um novo rumo.

Consegues imaginar como foi esse Natal? Quase sem tema de conversa.

Sem saber bem o que dizer, para não ferir suscetibilidades ou “contagiar” o ambiente.

Mais tarde, percebi algo importante: aquelas emoções não surgiram para me prejudicar, mas para me proteger e evoluir para quem Eu Sou hoje.

Hoje trago-te um convite que atravessa esta época — e a vida.

Vivemos num tempo que valoriza a pressa, a produtividade e o “dar conta de tudo”.
E, nesta fase de final de ano, isso intensifica-se ainda mais.

O convite que te deixo não é apenas para agora, na quadra de Natal. É para a vida:

Abranda. Faz uma pausa. Escuta o corpo.

Nem tudo precisa de ser feito.
Nem tudo precisa de ser resolvido.

Às vezes, menos é mais.
Mais presença. Mais verdade. Mais cuidado.

Ao longo deste processo de autotransformação, aprendi no corpo que as emoções não pedem soluções rápidas. Pedem presença.

· Quando são escutadas, podem ser reguladas.

· Quando são reprimidas, acumulam-se no corpo, drenam energia e acabam por causar danos.

Foi no Chi Kung Terapêutico que encontrei um lugar seguro — e um caminho — para regular emoções enquanto cultivo energia vital.

Outros caminhos podem existir e, quem sabe, um dia falarei deles. Mas este foi o meu.

A respiração consciente, o movimento suave e a quietude criaram espaço interno: para sentir sem me perder no que sentia e para recuperar energia sem esforço.

E, mais uma vez, o corpo ensinou-me algo essencial:

Sentir não é perigoso — perigoso é não sentir.

Há emoções que se instalam nos ombros, no peito ou no abdómen.
Outras manifestam-se no sono, na digestão ou na respiração curta.

Sabes, o corpo sente antes da mente compreender. Quando comecei a escutar o corpo com mais gentileza, percebi que muitas tensões não precisavam de explicação. Precisavam de acolhimento.

E foi aqui que algo simples se revelou profundamente transformador para mim.

Abraçar também é cuidar.

Com o tempo, compreendi que cuidar não é apenas corrigir, tentar resolver ou melhorar. Cuidar é criar segurança — primeiro em nós, depois no outro.

Um abraço verdadeiro — de um amigo ou familiar, a nós próprios, a um animal de estimação, a uma almofada ou até a uma árvore — comunica ao corpo algo essencial:

“Estás seguro.”

O abraço regula, inclui e reorganiza.
É um gesto silencioso que fala diretamente ao sistema nervoso e à energia vital.

Hoje vejo o abraço como um mantra de cuidado: simples, acessível e sempre disponível.

É verdade que ainda há quem veja o abraço quase como uma invasão ou ameaça.
Talvez porque nem sempre fomos educados a sentir segurança no contacto, nem a expressar os nossos afetos. Mas acredito que também isso pode ser reaprendido — com tempo e respeito.

Três aprendizagens que ficaram comigo - como prática de vida:

🌱 1. Emoção sentida é emoção em movimento.
Quando damos espaço à emoção, ela transforma-se naturalmente.

🌱 2. O corpo é o lugar mais seguro para regular emoções e energia.
Respirar, abrandar e sentir o chão cria segurança interna.

🌱 3. Cuidar não exige força — exige presença.
Às vezes, o maior gesto é parar. Outras vezes, é abraçar.

Talvez esta mensagem também seja para ti

Se sentes emoções intensas ou confusas…
Se andas mais cansado do que o habitual…
Se percebes que o corpo pede algo que ainda não sabes nomear…

Talvez não seja algo para “resolver”.
Talvez seja algo para escutar. E cuidar.

E tu? O que tens sentido com mais frequência ultimamente — no corpo e no coração?
Que gesto simples de autocuidado poderia fazer-te bem agora?

Se quiseres partilhar, basta responder a este e-mail - leio sempre com presença e respeito.

No dia 11 de janeiro, vou replicar a palestra experiencial, onde vamos explorar práticas simples e eficazes de autocuidado para harmonizar corpo e mente durante a estação mais yin do ano — o inverno.

Se sentires o chamado, responde a este e-mail para mais informações.

Com sabedoria, equilíbrio e leveza,
Henrique Miguel Santos
RICAS LIFE

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