Mais ternura. Menos doçura.


Mais ternura. Menos doçura.

Olá,

Ao longo das últimas newsletters falámos do corpo como mensageiro, da energia vital, do movimento que nasce da escuta e das emoções como sinais — não como inimigas. Falámos de presença, de ritmo e de cuidado como práticas de vida.

Hoje quero trazer tudo isso para um tema muito concreto e muito sensível nesta época do ano: a forma como nos nutrimos— não apenas com comida, mas também com gestos, afetos e presença.

E começo com uma frase simples, que tem ecoado em mim nos últimos dias: mais ternura, menos doçura.

Quando o corpo pede aconchego — não excessos

O inverno é, por observação da natureza, um tempo de recolhimento.
O corpo abranda. A energia desce. A digestão torna-se ainda mais sensível.

No entanto, culturalmente, este período vem muitas vezes carregado de excessos — sobretudo de açúcar, estímulos e obrigações sociais. Doces, sobremesas, chocolates, fritos, bebidas quentes açucaradas … como se a doçura fosse a única forma de compensar o cansaço, o frio ou a carência emocional e, as bebidas alcoólicas como outro veículo de escape.

Mas a minha vivência tem-me mostrado algo importante: o corpo nem sempre pede doçura, pede aconchego – não solitário. Pede ternura. Pede fraternidade.

Durante muito tempo, também eu procurei compensar o desgaste com estímulos rápidos: algo doce, algo quente, algo reconfortante — mas sempre passageiros.

Depois do diagnóstico, e sobretudo durante “o inverno dos tratamentos”, percebi que o meu corpo precisava de outra coisa: de calor verdadeiro, regularidade e simplicidade.

Menos estímulo. Mais aconchego.

Comida quente, simples, fácil de digerir. Refeições regulares. Menos açúcar.
Em resumo, mais presença.

Foi aí que comecei a compreender a alimentação não como controlo ou privação, mas como gesto de amor próprio. Percebi também, que aquilo que muitas vezes procuramos nos doces … é o mesmo que procuramos num abraço.

O abraço também nutre

Hoje sei que nutrir não é apenas o que colocamos no prato. É também o ambiente, o ritmo e os gestos. Afinal, um abraço abranda o corpo. Acalma o sistema nervoso. Cria segurança.

Por isso, neste Natal, talvez possamos relembrar-nos disto: abraçar também é cuidar.

Cuidar do outro. Cuidar de nós.
Criar um espaço onde o corpo pode repousar — por dentro e por fora.

Celebrar o Natal com tradição e consciência

Não se trata de abdicar do que é tradicional. Procurar envolver a família nos preparativos da ceia de natal, fazer em casa em vez de comprar tudo feito. Trata-se de acolher, equilibrar e simplificar.

O bacalhau e as couves continuam a ter lugar à mesa — são quentes e simples. E, gosto de acompanhar com batatas assadas com a pele e sal marinho integral.

Podemos iniciar a refeição com um caldo de raízes & shoyo: cenoura, nabo, cebola, alho francês, bardana, raiz de lótus … alimentos que aquecem, fortalecem e preparam a digestão.

E, nas sobremesas, talvez possamos escolher algo mais natural: menos açúcar refinado, menos ovos, mais ingredientes simples ou porções mais pequenas — mas saboreadas com presença.

Às vezes, o que faz a diferença não é o que colocamos ou retiramos da mesa, mas a forma como comemos e com quem estamos.

Estes momentos de convívio alimentam a alma, por isso torna-se importante dar tempo para saborear cada prato, apreciar cada história e espaço para processar, inclusive a ansiedade dos mais novos com o momento de partilha e abertura dos presentes.

No inverno, menos é mesmo mais.

Menos variedade. Menos excesso. Menos estímulo.

Mais calor. Mais regularidade. Mais digestibilidade.

Não se trata de “não comer isto ou aquilo”.
Trata-se de escutar o corpo e responder com gentileza.

Agora, pergunto-te com simplicidade:

• O que é que o teu corpo realmente pede nesta fase?
• É doçura… ou é ternura?
• Que pequenas escolhas poderiam trazer mais calor e cuidado nesta quadra de Natal?

Não precisas de mudar tudo. Às vezes, basta um pequeno ajuste consciente.

Se quiseres partilhar, basta responder a este e-mail. Leio sempre com atenção, respeito e presença.

Um olhar sobre o que está a nascer

Passado o solstício de inverno, pouco a pouco, quase sem darmos por isso, os dias começam a crescer. Sim, é inverno – tempo de recolhimento. Mas a luz já regressa, devagar.

É neste ritmo — silencioso e consistente — que também estou a preparar algo com muito entusiasmo. Um espaço de pausa, alinhamento e regeneração, pensado para acompanhar a transição do inverno para a primavera. Sim, sempre com um olhar no futuro.

Para já, o convite é simples:
guarda a data de 20 a 22 de março de 2026,
✨ escuta se este tempo de transição também fala contigo.

Em breve partilharei mais. Até lá, fica com esta ideia: Tal como a luz regressa, também a energia pode renascer — quando lhe damos espaço.

Com sabedoria, equilíbrio e leveza,

Boas Festas e fraterno abraço,


Henrique Miguel Santos
RICAS LIFE

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