O movimento certo nasce de dentro


O movimento certo nasce de dentro

Olá,

Na última newsletter falámos sobre a vitalidade — e sobre como ela pode ser cultivada com presença, ritmo e consciência. Hoje quero começar esta mensagem com algo essencial:

O corpo nunca é culpado — o corpo é mensageiro.
E cada pessoa faz sempre o melhor que consegue com os recursos que tem.

Digo isto porque, durante muitos anos, também eu acreditei que “tinha de fazer mais” para ser mais saudável, mais forte, mais capaz.

Só mais um esforço… só mais um treino… só mais uns minutos… só mais um empurrão ao corpo.

Até que o corpo me disse basta.

Quando o corpo deixou de avançar, percebi algo profundo.

O que me faltava não era força.
O que me faltava era escuta.

Antes do diagnóstico oncológico, a minha vida era um ir e vir constante entre demasiado esforço e pequenas compensações.

Um ritmo frenético, exigente e pouco gentil. E quando o corpo pedia pausa, eu respondia com: “amanhã vejo isso… no fim de semana descanso… agora não dá”.

Mas chegou o dia em que a pausa deixou de ser opcional.
A vida convidou-me a abrandar — e, pela primeira vez, eu aceitei.

Durante os tratamentos de quimioterapia ainda tentei manter alguma atividade física — spinning e body pump — mas com menos intensidade, menos carga e menos frequência. Só que, no fundo, o corpo pedia outra coisa. Pedia presença.

Foi no Chi Kung Terapêutico que encontrei uma nova consciência corporal.

Uma nova forma de estar no corpo.
Um movimento tão suave que, no início, quase não o reconhecia como “exercício”.

Mas era ali, no silêncio dos gestos simples, que algo começava a reorganizar-se dentro de mim. E, depois de uma cirurgia profunda ao sistema digestivo, era exatamente isso que eu precisava.

A respiração ganhou espaço.
O peito aliviou.
A mente repousou.
E a energia, aos poucos, voltou a encontrar caminho.

Não foi magia. Não foi força. Foi presença.

· O Chi Kung ensinou-me que o movimento que cura não pressiona, não exige, não compara.

· O movimento que cura é aquele que o corpo aceita — e não aquele que o corpo apenas tolera.

Três ideias que mudaram a minha relação com o movimento

(sem teoria — apenas vida vivida)

1. O corpo não quer perfeição — quer regularidade.

Gestos simples, repetidos com gentileza, criam mais transformação do que grandes esforços esporádicos.

2. A energia renova-se quando o corpo se sente seguro.

Movimento suave é convite, não imposição.
O corpo cura quando confia.

3. Cada pessoa tem o seu ritmo.

O meu mudou muito ao longo do processo.
E o teu também pode mudar — sem pressa e sem culpa.

A mensagem que quero deixar-te hoje é esta:

O movimento certo nasce de dentro — não da vontade, mas da escuta.

E essa escuta pode transformar por completo a forma como te relacionas com o teu corpo, com o teu cansaço e com o teu presente.

Nesta altura do ano, ouço muitas pessoas dizerem que estão cansadas e exaustas.
Sabes que mais?

O descanso também é prática.

E tu? Como sentes o teu corpo hoje?
O que ele tem tentado dizer-te?
Que tipo de movimento te faria bem neste momento da tua vida?

Se quiseres partilhar, basta responder a este email - Leio sempre com atenção e presença.

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Henrique Miguel Santos
RICAS LIFE

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